FAMIGLIA CAVALCANTI

Raccolta BEZERRA CAVALCANTI MARCELO

Era uma vez os romanos

  

 "Hai dato a diversi genti uma única patria...

     Hai fatto uma città di ciò che prima era il mondo.”

 

ROMA uniu por centenas de anos os povos antigos, organizou o Império com uma Capital cosmopolita, e nas províncias, além das fortificações militares os romanos construíram estradas, cidades, aquedutos, sua leis toleravam todas as religiões e aceitavam diversos estilos de vida, respeitavam a autonomia local, foram os romanos que inventaram o “mercado comum”, uma comunidade econômica, com uma única moeda, e a lei era igual para todos.

 

Os cidadãos romanos eram muitos, 120 milhões, o comércio fluia nos portos do Mar Mediterrâneo, desembarcavam minerais da Espanha, vinho da Provença, França, tecidos de Damasco, Síria, cosméticos do Egito, armas e lã da Galícia, trigo do Norte da Africa, Azeite, eles viajavam e comerciavam, faziam grandes negócios, exportavam e importavam com grande eficiencia, no ocidente falavam latim e no oriente falavam grego (que estudavam na escola desde os 10 anos de idade, 6 horas por dia). Os professores ensinavam os cidadãos romanos por todo o Império a ler, escrever, a fazer contas.

ROMA 09 - Mundial de Nataçao em Lido Ostia 

Muitas coisas daquele tempo ainda encontramos nos dias de hoje. Na agricultura, varias ferramentas são parecidas com as romanas. As normas do direito romano estão hoje em vigor em vários países do mundo, estas leis estabelecem o que o cidadão deve ao estado e o que o estado deve fazer para o cidadão, e principalmente o bom senso na interpretação da lei.

Os jovens se divertiam com as brincadeiras antigas, bem antes do vídeo game! Jogavam, brincavam, montavam a cavalo, iam caçar, pescar, velejavam, remavam e quando podiam iam ao CIRCO onde assistiam lutas de gladiadores, animais ferozes, corrida de bigas, os espectadores vestiam túnicas com cores das torcidas, verde, branca, violeta. Haviam também os espetáculos teatrais com efeitos visuais e o publico bebia e se alimentava nos teatros romanos, era uma festa ir ao teatro.

O cardápio dos romanos era diferente de hoje, não conheciam o café, açúcar, a batata, o feijão, milho, o tomate, mas serviam vinho quente, ervilha cozida, pimenta, mel, azeite, vinagre, uva passa, menta, frutas, peixe, e se um dia recebiam um hospede poderiam servir um belo javali assado por exemplo. A hora que eles mais se alimentavam chamava-se CENA.

O dia a dia era corrido, acordavam cedo para trabalhar na agricultura, depois no meio do dia faziam uma sauna e um almoço reforçado, à tarde iam à cidade negociar os produtos ou cobrar providencias da autoridade no fórum, o cidadão tinha o direito de reclamar!

 

Nem tudo era maravilhoso. No final do Império romano os patrícios ricos valiam mais que os pobres, alias como acontece hoje em vários países. Haviam eleições com compra de votos, e corrupção no governo, acho que li isso no Jornal do Brasil recentemente também!

METRO em Roma 

Muitos romanos denunciavam os escândalos e reclamavam. Era uma politica animada! Os juizes eram E-L-E-I-T-O-S a cada ano, normalmente vinham das famílias mais ricas e com mais estudo, cobravam das autoridades a limpeza das cidades, regulavam o comércio nos mercados, os espetáculos de arte, os serviços públicos.

 

EU VOTO nas eleiçoes italianas e brasileiras também!

O governador da província garantia a ordem publica, e decidia os casos mais importantes, se a autoridade abusasse do poder era julgada pelo Senado. Um cidadão romano comum tinha o direito de VOTO e também de fazer propaganda eleitoral. Foi encontrada a seguinte escrita:

“Elvio Sabino all' edilizia, raccomandato daí panettieri uniti”

No ultimo lugar da escala social estavam os escravos, prisioneiros de guerra, crianças raptadas dos piratas e dos bandidos. No mercado de Delfo eram vendidos até 20 mil escravos em um só dia! Eram considerados um patrimônio, igual um arado ou boi. Os escravos forneciam a mão de obra nos campos e nas minas, mas eram também excelente profissionais, músicos, arquitetos, etc. O preço do escravo dependia da sua idade e da sua habilidade e profissão, os professores tinha alta cotação "!". Os escravos livres, os libertos, possuiam uma posição melhor na escala social, eram ex-escravos, mas não podiam trabalhar em cargos públicos, praticavam o comercio ou serviços gerais, foi a abolição da escravatura a maior conquista do cristianismo.

 

Castel Fusano em Roma, uma das sedes do Roma 09. 

O trabalho no campo era a principal fonte de renda, com grandes plantações e monocultura de trigo, azeitona, cevada, farro, aveia, as terras estavam nas mãos de poucos, e o serviço militar obrigatório era de até 6 anos.

Praia de Lido Ostia em Roma, Mar Tirreno. 

Luz em casa só de velas ou tochas, esquentavam a casa no frio com o forno à lenha onde faziam pao, pizza, carne assada, sopa, muita sopa, os famosos minestroni com varios legumes, as roupas eram a toga, a túnica, um tecido único em volta do corpo, as vezes com uma faixa purpura para os chiques e famosos da época. O imperador Augusto por exemplo sentia muito frio e usava 4 camadas de tecido. Calçavam sandálias de couro bem confortáveis e se fossem andar na lama, ou neve e gelo, tinham umas travas de ferro iguais as chuteiras de futebol.

Uma superstição aconselhava o casamento no mês de maio.

Porque a historia dos romanos acaba mal? Muitos dizem que era pela corrupção, outros pela preguiça dos romanos depois que enriqueceram tanto, mas eu tenho uma teoria: Principalmente porque das grandes planícies chegaram os bárbaros que invadem o Império.

FIESOLE

A origem da família Cavalcanti esta ligada a cidade de Florença ou Firenze em italiano, Júlio César e seu exercito guerreou contra os etruscos que se defenderam nas muralhas de Fiesole. Os romanos conquistaram Fiesole e levaram o povo etrusco para as margens do Rio Arno, para morar em Firenze “manus militari” assim nasce uma cidade na marra, dividida em bairros que não se entendiam, de pessoas que se odiavam e eram socialmente incapazes de conviver em paz, como prova os seculos de violencia e vendetas.

OS BÁRBAROS

Bárbaro não quer dizer ignorante, mas simplesmente ESTRANGEIRO, de todos eles o mais bárbaro é o huno, mas entre os primeiros invasores estão os visigodos, uma tribo dos godos que partiu da região do Rio Danúbio na Hungria com a liderança do rei Alarico.

 

Milao era uma das capitais do Imperio Romano.

O Império romano no ano de 395 estava dividido em dois, Teodósio quando morreu deixou o ocidente para o filho Onorio e o oriente para o outro filho Arcádio. Mesmo que ROMA tenha continuado como centro espiritual, as verdadeiras capitais eram Milão e Constantinopla.

 

Milao em 2009 

Alarico era obstinado em conquistar Roma. Assim os bárbaros chegam as portas de Roma (que por 800 anos não conhecia um cerco armado). No senado se resolvia como negociar com Alarico um acordo. Enquanto isso Alarico cercou a cidade e deixava a fome trabalhar à seu favor, o  Senatus Populus Quorum Romanus (S.P.Q.R.)enviou embaixadores para negociar com Alarico que disse: “Quero todo o ouro, todos os objetos preciosos, e todos os escravos livres!” para os romanos restava salvar a própria vida. Os embaixadores pediram, e Alarico renegociou o acordo para 2500 quilos de ouro, 15 mil quilos de prata, 1500 quilos de pimenta, 4000 rolos de seda e mais um tanto das famosas faixas purpuras. Em torno de 40 mil escravos foram libertos.

Roma em 2009 

Alarico pediu ainda ao imperador Onorio que estava em Ravena que fosse nomeado seu general, com bom salario, se propos a defender o Império Romano mas queria para isso dinheiro para ele e para o seu povo, além de um lugar na Itália para se estabelecer. Onorio não aceitou e Alarico invade Roma no dia 24 de agosto de 410, os visigodos entram pela porta Salaria sem encontrar resistência, por 3 dias a cidade fica em suas mãos, um caos. Alarico morre pouco tempo depois de uma violenta febre, é enterrado com seu uniforme militar e seu cavalo.

 Ponte Sant' Angelo sobre o Rio Tevere, Roma 2009

Em 455 Roma sofre a segunda humilhação nas mãos dos Vandalos chefiados por Genserico que partiu da Asia Central e também com Atila rei dos hunos. Atacam uma cidade depois da outra, Aquileia, Padova, Vicenza, Verona, Bréscia, Bérgamo, todas foram assaltadas pelos hunos.

A população do Veneto em fuga procura refugio na laguna, constroem novas casas em palafitas, assim fundaram a cidade de Veneza que fica sobre o mar.

“Se volete sapere come é stata construita venezia, posso dirvi che il suo pavimento é il mare, il cielo é il suo tetto, i canali le sue pareti.”

Até Milao se rende a Atila.

 Enzo e Tania em frente ao Duomo, Milao 2009

Incansável Atila vai em direção a Roma mas no vale do Rio del Mincio encontrou um homem com uma barba branca, uma roupa branca e com uma faixa amarela, era o papa Leone ( Leão em português). Depois da conversa com o papa Atila desiste de invadir Roma. Invadem a Itália depois ainda os "Eruli" e Ostrogodos.

Caesar AVGVSTVS 

Os bárbaros que invadem a Itália foram tantos que é difícil saber com certeza como eram os antigos romanos e etruscos, mesmo assim o Presidente da Republica italiana em 15 de Maio de 2009 afirmou que os italianos correm  perigo de se tornarem um povo xenófobo, intolerante com os estrangeiros.

"(...) L’azione pubblica deve pertanto impegnarsi a smantellare questi meccanismi e a ideare ed introdurre, al loro posto, strumenti che potenzino le capacità di coloro che rischiano di essere lasciati indietro.
Come sappiamo, povertà e disuguaglianza sono strettamente connesse, quindi le misure rivolte a ridurre la povertà e quelle contro l’esclusione sociale devono andare di pari passo. Solo in questo modo si può evitare che coloro che si trovano in fondo alla scala sociale rimangano confinati in quella posizione. Questo è tanto più importante nei nostri paesi dove le differenze in termini di origini etniche, religiose e culturali sono aumentate. Qui, il rischio che queste differenze si traducano in un fattore di esclusione è sempre presente ed è aggravato dal diffondersi di una retorica pubblica che non esita – anche in Italia – ad incorporare accenti di intolleranza o xenofobia.
La crisi che stiamo attraversando mette a repentaglio non soltanto il benessere economico della nostra società ma anche la qualità della nostra vita sociale e politica. Abbiamo il dovere di innescare un nuovo ciclo di sviluppo che non intacchi i livelli di equità e di coesione sociale raggiunti, ma anzi li migliori significativamente. Le nostre società devono dimostrare che questo è un obiettivo raggiungibile. E’ un sentiero stretto e impervio quello che abbiamo di fronte, ma è l’unico che l’Europa può ragionevolmente percorrere. (...)"
 (GIORGIO NAPOLITANO, Presidente da Republica italiana, discurso de 14 de Maio de 2009 na cerimonia de abertura DELL’ASSEMBLEA GENERALE DELL’EUROPEAN FOUNDATION CENTRE

 Trens de alta velocidade na estaçao S.M.N. em Firenze.

Acho que nenhum teste de DNA saberia quem é o que na Itália! Recentes pesquisas acharam a origem dos celtas no Afeganistão! Uma família italiana com testes de DNA descobriu sua origem em tribos nativas dos Estados Unidos da América do Norte, que devem ter cruzado pelo Alasca, Rússia e chegado a Itália. Fini, politico italiano, disse que todos os italianos sao emigrantes, essa é a verdade. Mas como para sobreviver na Europa dos impostos altissimos, dos aluguèis carissimos, das contas de aquecimento para manter uma familia no inverno, a maioria do povo europeu nao aceita mais gente competindo no mesmo mercado de trabalho, principalmente os que vem trabalhar na Europa como operarios irregulares e ilegais. A criminalizaçao da emigraçao ilegal é uma pena, uma filosofia equivocada, um sinal dos tempos, a crise economica que começou em Setembro de 2008 criou também uma crise social e politica contra os emigrantes.

 

Voltando a nossa historia medieval do seculo IV, aconteceu muita miséria e fome causada pelas repetidas invasões barbaras e as guerras dos 56 novos duques Longobardos que não se entendiam. Mas, no meio dessa confusão aparece um personagem que mudou o rumo da historia, e da minha familia Cavalcanti: o papa GREGÓRIO MAGNO.

GREGÓRIO

Um papa que mandava distribuir aos pobres o dinheiro da igreja, libertava os escravos em Roma e enviou missionarios à Inglaterra, Espanha, França e Alemanha.

Em 700 o papa envia missionários para Frísia, e Willibrod converte muitos fiéis, uma das cidades convertidas é Emmerich no Vale do Rio Reno, Willibrod fundou em 700 a sede da missão católica para a diocese de Utrecht e consagrou a primeira Igreja a St. Martin, nesta Igreja estão os túmulos medievais ricamente decorados do século VIII. Um documento decreta o nome de "Villa Embrici" em 828, provavelmente uma forma latinizada do nome franco Embrico, antigo dono daquelas terras.

 Um dia entre uma procisao guiada por Gregorio com objetivo de por fim a peste que assolava Roma, uma visao:

Em cima da tumba de Adriano aparece um anjo com uma espada de fogo, a peste acabou naquele momento, e no local se construiu um castelo que se chama Sant' Angelo. Muitos acreditam que esse castelo fica proximo a tumba de São Pedro.

Gregorio era muito estudioso, reformou e codificou o canto religioso, que em sua homenagem se chama canto gregoriano. Mas seu mérito esta na conversao dos Longobardos, ajudou a boa rainha Teodolina, que deixou para a Igreja a “corona ferrea” que serve para coroar o rei da Itália, e é conservada em S. Giovanni a Monza.

OS FRANCOS

Depois de 200 anos acaba o tempo dos Longobardos na Itália, chegam os Francos liderados por Carlo Magno, ele era uma pessoa grande, robusta, olhos vivos, com grande nariz, cabelos e barba grisalhos, uma bela face, cordial, e de habitos muito simples. Depois de se vestir e se calçar (como um rei) da um bom dia  a sua família e logo em seguida toma as decisoes mais urgentes, convoca os ministros para discutir os assuntos de estado, fala latim, alemao, entende grego. Gosta de ir caçar e era um excelente nadador, se alimentava bem, não tolerava embriaguez, e era apaixonado por astronomia. Bom anfitriao com os pelegrinos e generoso. Gostava de musica, e, na sua corte passaram grandes menestreis.

 

 http://www.santagostino.rai.it/ 

 O povo seguia a sua vida cotidiana com comercio, artesanato, tudo ia bem, até que um dia o rei Carlos Magno se apaixona por Emengarda, filha do rei Desiderio e irma de Adelchi.

Mas depois de um ano de casamento Carlo repudia a sua esposa, esse ato de repudio ou divorcio, da inicio a uma guerra que tinha também fortes razoes politicas. Suspeita-se que Desiderio, o rei dos Longobardos, comecou a guerra contra os romanos de Ravena e o Papa por causa de uma intriga movida pelo imperador de Constantinopla. Em 735 foi realizado um consilio e os cardeais pediram socorro ao rei Carlo Magno, que era filho de Pepino e sucessor do reino merovingio, descedente de Chilperico II.

Desiderio ameaça o papa que era amigo de Carlo, assim o rei franco vai para a Itália com todo o seu exercito, mas em CHIUSA no Vale do Rio Dora, não consegue passar, impedido por Adelchi. Por sorte encontra uma trilha secreta e consegue atacar a retagurada dos longobardos de surpresa, assim Desiderio é feito prisioneiro e Carlo o condena ao exilio no monastério da França.

O rei Carlo Magno atendeu o pedido de socorro do Papa e foi direto para Puglia, libertou Roma e a Igreja Catolica da invasao dos Longobardos, foi por isso que no ano de 760 os FRANCOS comecaram a habitar a cidade de Siena, especialmente com os veteranos da guerra que quiseram ficar na Itália.

LEONE III

Roma tem um novo papa, mas agressores do partido contrario aos francos cometem um atentado contra o papa, tentam cortar a sua lingua, mas com ajuda de um monge o papa consegue fugir dos bandidos. Depois de uma viagem cheia de perigos o papa se reune com o rei Carlo Magno em Paderborn na Saxonia. De presente leva uma caixa com as reliquias de S. Stefano. Alguns meses depois na Basilica de São Pedro em Roma, Leao III coroa Carlo Magno na noite de natal do ano 800.

“A CARLO PIISSIMO AUGUSTO INCORONATO DA DIO, GRANDE E PACIFICO IMPERATORE DEI ROMANI, VITA E VITTORIA!”

Assim nasceu o Sacro Imperio Romano, que durou mil anos, e teve uma grande importancia historica. Desde os tempos de Roma nenhum soberano do ocidente já reinou por tanto territorio.

Esses Longobardos eram ambiciosos, depois da morte do rei longobardo ALIPRANDO, ERACO seu sucessor reinou em Puglia. Quando Eraco recomeca a guerra contra a Igreja e contra o Papa Zacarias, chega em Roma com todo seu reforço da Puglia e da Lombardia para destruir Roma, pela graça de Deus durante essa guerra o papa Zacarias conseguiu converter o inimigo a fé crista, converteu Eraco, sua mulher e seus filhos. O exercito de Eraco entao passou por Roma e foi lutar contra Cosdre rei da Persia, libertou os prisioneiros cristaos que estavam em Jerusalem, e recuperou a cruz de Cristo que esse rei da Persia tinha levado de Jerusalem.

Na condiçao de mantenedores da paz na Toscana, os Cavalcanti se estabeleceram em Siena, Volterra, Pescia, Firenze e Orvieto. Esta família ajudava na seguranca, apoio, aos viajantes, peregrinos que iam a Roma e Jerusalem, os membros da família participavam da administracao das cidades, muitos ordenados padres da Igreja Catolica Apostolica Romana. Os Cavalcanti construíram pontes, estradas, castelos, investiram na agricultura e se casaram com familias toscanas, muitas descendentes dos etruscos de Fiesole, entre os Rio Arno e Sieve, Em Val di Pesa, Val di Greve, vale dizer que a localizacao das casas e o tipo de agricultura em terracos, no meio das montanhas, com sistemas de irrigacao é muito etrusco, sao caracteristicas da presença da família na Toscana.

A FAMILIA CAVALCANTI

Giovanni Cavalcanti na sua Storie Fiorentine descreve a origem da familia que estaria documentada nos arquivos dos Frates Predicatores (Domenicanos) de Siena. Mas essa origem é uma lenda, uma favola.

A cidade de COLONIA na Alemanha é muito antiga, com uma bela catedral gotica bem no centro, o que confirma o sucesso dos missionarios cristaos enviados pelo papa Gregorio. As margens do Rio Reno, sao belissimos os castelos, e do castelo de San Giglio, possivelmente Burg Hemmerich (Bornheim) a 22Km fora da Cidade de Colonia, deste castelo saíram 4 irmaos da familia Cavalcanti acompanhados por um chefe exilado da tribo dos Longobardos, essa tribo ocupou a Italia por 200 anos, mas no ano de 775 d.c. chegou a vez dos francos.

  

Firenze e as pontes sobre o Rio Arno 

A cidade de Firenze em 806 estava decadente, com aproximadamente mil habitantes, fora da rota comercial Parma - Roma, pois os Longobardos usavam um caminho mais seguro pela Garfagnana, e Firenze assim estava isolada e miseravelmente abandonada.

Com a chegada do rei Carlos Magno, abriram-se as rotas comerciais, e com o novo Imperio reformam a republica fiorentina, onde os Cavalcanti foram um dos primeiros consuli eleitos. Os governantes eram eleitos entre os empresarios, fazendeiros e comerciantes, que se organizavam em associaçoes de classe conforme a profissao de cada um. Tinha a Arte della Lanna, Arte dell Cambio, etc.

Firenze vista da Piazzale Michelangelo 

Nos arquivos da Republica de Firenze encontramos documentos que comprovam um Domenico Cavalcanti no ano 800. Sao manuscritos em papiros e couro de ovelha, (carta pecora) preservados até hoje. Estao todos arquivados em maços e guardados no Archivio di Stato di Firenze. Um mundo de burocracia medieval.

Dos 4 irmaos que vieram de Colonia, um se estabeleceu em Firenze e se casou com uma belissima donna Gualdrada,  ganhou de presente uma fazenda em San Cassiano Val di Pesa, que se chama Castello delle Monte Calvi. A residencia na cidade de Firenze ficava na via Calimala, bem no centro historico em torno do Mercato Nuovo. Os Cavalcanti de Firenze eram comerciantes de lã ao lado da Igreja de Orsanmichele, no quarteirão entre a Via Calimala, a Via Orsanmichele, Via dell'Arte della Lana, Via Porta Rossa (antiga Via dei Cavalcanti) e mantinham comércio com a Frísia.

O outro irmao foi morar ao lado do Castelo de Pescia e teve que construir uma grande muralha para se defender dalle strange genti. investiu numa tropa de mulas e fazia o transporte das mercadorias na regiao Toscana. como tinha muitos empregados e muitas mulas que andavam de um lugar para outro, por isso o povo dizia que a nossa familia era muito bem sucedida, Esse irmao teve 6 filhos homens, os quais deram origem aos seis ramos da familia Cavalcanti naquele lado. Outra lenda da família é o casamento de Irina Cavalcanti com um Alsemo Medici

O terceiro irmao se estabeleceu em Siena, mas a cidade ainda nao era murada, esse terceiro irmao ficou tao rico e era tao audacioso que conquistou um monte que se chamava Mala Volta e nele construiu uma tremenda fortaleza, tanto fez que pegou o apelido do lugar, a familia ali começou a se chamar Malavolti, mas como origem tinham o nome de Orlandi. Essa fortaleza depois fez parte do sistema de defesa da cidade de Siena.

O quarto irmao foi para Orvieto e se chamam Monaldeschi em homenagem ao ancestral Monaldo Cavalcanti.

Cavalcanti, Malavolti, Orlandi, Monaldeschi sao todos sobrenomes com origens nos ancestrais que vieram em 775 de Colonia na Alemanha, assim diz a lenda! Aos poucos os arquivos historicos vao revelando os documentos e quem sabe provaremos cientificamente essa favola.

Passeio de bicicleta pelo Castelo delle Montecalvi em San Cassiano Valdipesa

 

 As principais fontes historicas da genealogia da familia Cavalcanti

Biblioteca delle Oblate em Firenze - Marcelo com Enzo no colo em 2009.

 

O Archivio di Stato di Firenze que guarda os documentos da reforma da Republica Fiorentina, os contratos de casamento, testamentos, cadastro de impostos, o CATASTO, cadastro do mercado de titulos, o TRATE, antiga bolsa de valores medieval, balanços das empresas da familia e seus socios, toda burocracia medieval esta guardada. De vez em quando um pesquisador ou genealogista acha alguma novidade. O livro REGISTRO D'HOMINI E DONNE CAVALCANTI por exemplo tem uma lista de nomes muito antigos desta familia, esta arquivado no fondo Mannelli Galilei Riccardi, pezzo 481, do Archivio di Stato di Firenze.

Das bibliotecas que guardam os livros antigos, a principal é a Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze que tem a coleçao Magliabechiana, o livro do Gamurrini, e do Villani estao na emocionante Sala Toscana, a Biblioteca Riccardiana com os trabalhos de Scipione Ammirato, e a Biblioteca Marucelliana, sao locais com manuscritos e muita historia. Esta tudo la para um dia ser revelado cientificamente por um grande pesquisador.

A Igreja Catolica guarda varios documentos antigos, mas como a familia chegou a Firenze em 775 e os registros salvos da catedral começam em 1400... sao 625 anos sem provas! Por sorte achei o livro Obituario que era lido na missa em favor dos defuntos, esse livro é muito, muito antigo, e tem varios nomes Cavalcanti.

Uma coisa boa que a Igreja fez foi disponibilizar na internet os registros de batismo desde 1430 no site:

http://www.operaduomo.firenze.it/battesimi/

 

 

 

Principais Personagens:

 

Aldobrandino Cavalcanti

padre domenicano, nasceu em Florença em 1217, entrou para a ordem domenicana em 1231.

1244 fra Aldobrandino foi nomeado inquisitor contra os Patarini

 Santa Maria Novella, Firenze, festa de 24 de Junho de 2009.

 1244 com 27 anos foi eleito priore de Santa Maria Novella e depois volta ao mesmo cargo em 1250 a 1255.

 

1261 é eleito priore do convento de S. Romano de Lucca, um refugio da confusao Guelfi x Guibellini instalada em Firenze

1262 nomeado priore provinciale dos domenicanos para a Provincia Romana

1263 papa Urbano IV escreve para Aldobrandino para que o exercito de Lucca deixe os cercos em certos castelos de Pisa. [Fineschi]

 

1272 Nomeado bispo de Orvieto

1273 nomeado pelo papa Gregorio X seu vice-regente e com plenos poderes na Italia durante a ausencia do papa que foi liderar o concilio de Lyon na França. Aldobrandino com plenos poderes funda a Igreja domenicana de Santa Maria sopra Minerva em Roma e um convento anexo.

1279 Aldobrandino morre aos 13 de Agosto e é sepultado ao lado do altar na Igreja de Santa Maria Novella em Florença.

 

Brazao da familia Cavalcanti na fachada da Igreja de Santa Maria Novella em Firenze. 

Aldobrandino é importante pela sua obra na divulgaçao da doutrina de Sao Tomas de Aquino, seu conteporaneo. Estudos recentes revelaram que alguns discursos de S. Tomas eram escritos por Aldobrandino. Remigio de Girolami que foi um orador como Aldobrandino continuou o trabalho de divulgaçao da doutrina de S. Tomas.

Além disso, Aldobrandino deixou textos de filosofia, teologia, pregaçoes e espiritualidade, particularmente a pregaçao sobre todos os domingos do ano e das festas dos Santos. Na Biblioteca de' Canonici Regolari de Veneza encontramos ainda os comentarios sobre o livro do Apocalipse de S. Joao.

Bibliografia:

Fineschi, Memorie Istoriche degli Uomini Ilustri di S. Maria Novella, Firenze 1790, I, pp. 121-159

Taurisano, Il Capitolo di S. Maria Novella, em Memorie Domenicane, VIII, Lyon 1908, pagina 992

Silvio Umberto Cavalcanti, Si Chiavamano Cavalcanti, Parte 1.

Eugenio Gamurrini, Istorie delle Famiglie Nobile Toscane, ed Umbre.

Andrea di Lazzaro Cavalcanti

Escultor, nasceu em Borgo a Buggiano em Val di Nievole em 1412 e morreu em Firenze em 1462.

 

Desde a infancia esteve com Brunellesco, que depois o adotou e deixou sua herança. E com seu trabalho na sacrestia da Igreja de San Lorenzo, uma escultura no altar chamada “ A Virgem e o menino, profetas e Cabeças de Querubins” e também na sepultura de Giovanni di Bicci de' Medici e Piccarda sua esposa.

Antes de 1440 esculpiu o lavabo da sacrestia Norte do Duomo, obra que foi encomendada a Brunellesco desde 1432.

De 1442-45 fez o outro lavabo da sacrestia Sul e outras obras menores realizadas na mesma catedral.

 Foto: http://it.wikipedia.org/wiki/Andrea_Cavalcanti

1443-48 fez o pupito de Santa Maria Novella, obra importante desse escultor.

1446 fez os ornamentos e o busto de Brunellesco no Duomo, depois da morte do mestre no mesmo ano.

Uma placa para o museu Jacquemart André de Paris

Em Cercina, perto de Firenze, fez a porta da Igreja, um camino, e o lavabo.

O oratorio de Ss. Pietro e Paolo em Pescia, “La Madonna di piè di Piazza” e a capela Cardini no Duomo de Pescia.

Bibliografia:

W. Biehl, in Thieme-Becker, Kunstler-Lexikon, VI, Lipsie 1912

Cc P. Schubring, Die italienische plastik des quatrocento ( Handbuch Fur Kunstw), Berlim 1919

M. Marangoni, La Basilica di S. Lorenzo in Firenze, Firenze 1922

E. Berti Toesca, La Pieve di Cercina in Dedalo, X (1929-30) pagina 500-501.

Giovanni Batista Cavalcanti

militar, funcionário público e historiador fiorentino do seculo XV. Com origens do Castelo de Monte Calvi em San Cassiano Val di Pesa.

Marcelo com Enzo passeando no Castelo de Montecalvi

Foi capitao de parte Guelfa, trabalhou em cargos de confiança no governo de Cosimo Medici, foi preso na cadeia de Stinche no centro de Firenze por nao ter pago os impostos da cidade.

Na prisao Giovanni escreveu muitos livros com detalhes a vida politica de Florença de 1423 a 1440. Seus textos manuscritos estao arquivados na Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze, setor de livros raros e manuscritos e na Biblioteca Riccardiana di Firenze.

 Giovanni escreveu seus livros da prisao"Isola delle Stinche" em Firenze

Seus livros sao famosos e Niccolò Machiavel usou como fonte para escrever seus livros.

Em 1838 foram transcritos para tipografia e estao dispoviveis no site Google Books na integra.

Sao 14 livros da Storia e alguns livros da Seconda Storia.

No volume II pagina 456 Appendice, ele conta a lenda das origens da familia Cavalcanti.

Bibliografia:

Istorie Fiorentine scritte da Giovanni Cavalcanti, a cura de F. Polidori, Firenze 1838-1839, 2 volumes.

A. Venturi, Le orazioni nelle Istorie Fiorentine di Giovanni Cavalcanti, Pisa 1896.

 

Guido Cavalcanti

 

poeta, filosofo, politico e cavaleiro 

Nasceu em Florença em 1255 de uma nobre familia que enriqueceu com o comercio, seu pai foi Cavalcante de' Cavalcanti, era do partido Guelfi e foi exilado em Lucca depois da derrota para os Guibellini em Montaperti (1260). Depois com a vitoria na batalha de Benevento(1266) voltou a Florença, se casa com Beatrice que era filha de Farinata degli' Uberti do partido Guibellini. O casamento termina um tempo depois, foi uma tentativa de paz entre as facçoes, parecido com Romeu e Julieta, os dois eram de familias que nao se davam bem.

Marcelo e Enzo passeando em Firenze, 2009

Guido participava muito da politica, numa epoca tensa e complicada, Participou da paz do Cardeal Latino em 1280, participou do conselho da cidade em 1284-1290, e na divisao do partido Guelfi ficou com a parte branca, a parte mais proxima do povo, junto com os Cerchi e contra o lado do Corso Donati.

Nao se sabe como começou a briga, mas Guido detestava o Donati, suspeita-se que Donati tentou matar Guido quando ele ia em peregrinaçao religiosa a San Tiago de Compostela, que foi interrompida em Tolouse na França. Guido voltou a Florença mas foi excluido da politica por ordem da justiça, foi um dos agitadores dos Cerchi contra o Donati. Tanto que um dia lancou um dardo contra o cavalo de Corso Donati.

 Nas montanhas Fiesole, às margens do Arno fica Firenze.

Em junho de 1300, durante o governo de DANTE, e depois de um grande tumulto, foi preso e enviado a Sarzana (perto de LERICI em La Spezia), contraiu malaria, voltou a Florença e morreu nos ultimos dias de agosto.

Tinha uma personalidade fechada e pensativa, de educaçao aristocratica, sentimentos dignos de um cavaleiro, bom de papo, gostava de filosofia, apaixonado e violento nos seus odios e seus amores. Era um dos maiores intelectuais da sua epoca, amigo de Dante, Lapo Gianni, Gianni Alfani, Guido Orlandi, Dino Campagni e Cino de Pistoia. Esses o reconheciam como um mestre na poesia, na forma como explicava os segredos do coraçao. Guido inventou o doce estilo novo onde o amor é um ideal platonico feminino, uma adoraçao dolorosa.

Na sua filosofia tem traços arabes e averroistici e se confunde com a alma do poeta.

Bibliografia:

Rossi, Il “dolce stil nuovo”, in scritti di critica letteraria, Firenze 1930, I, pagina 21 e seguintes

 E.G. Parodi, Poesia e Storia nella Divina Commedia, Napoli 1920, pagina 211 e seg.

Bull d. Società dan. Ital. N.S. XXII (1915) pagina 37

M. Barbi Guido Cavalcanti e Dante di fronte al governo popolare, em studi  (...) continua... na segunda parte: A Chimera!

BIBLIOGRAFIA:

Storia D'Italia A Fumetti, ENZO BIAGI, Ed. Mondadori-De Agostini Libri 1987.

Giovanni Villani, Istorie

 

Copyright Notice: This text was writen on my Cavalcanti ancestors behalf, who are sick to see some little relatives asking italian passports just to live and work in United States.  Italy is not paradise, but is good to know where, why, and how your citizenship came from! 

 

Sobre o ramo da familia no Brasil

 

 PERNAMBUCO, BRASIL

 O professor Francisco Antonio Doria organizou, nas suas pesquisas, as origens documentadas da familia do Felippe Cavalcanti que veio para o Brasil em 1560 e casou em Olinda com Catarina. Em breve publico aqui os registros das familias Cavalcanti e Mannelli que sao os ancestrais italianos dos Cavalcanti pernambucanos. Em Firenze encontrei um mundo de burocracia medieval com detalhes de cada um dos ancestrais do Felippe. Principalmente no Archivio di Stato di Firenze e nas Bibliotecas. Quase todas as fontes estao online, saiba mais navegando pelas paginas do site: Archivio di Stato, Santa Reparata, etc.

Registro: 9, fg. 24 di 376
Maschi, 1523 Settembre 14 - 1

Battesimi di Filippo di Giovani di Lorenzo di Giovanni di Filippo di Filippo
Registro: 9, fg. 24 di 376  
Maschi, 1523 Settembre 14 - 1523 Settembre 23
http://www.operaduomo.firenze.it/

Grupo no Google sobre a familia Cavalcanti